Relato de parto da Priscila – capítulo 3 (final)

Filhos  /   /  Por Mônica Japiassú

Este é o capítulo final do meu relato de parto da Priscila. Sugiro que você leia antes o capítulo 1 e o capítulo 2. :)

Recapitulando, eu estava na sala de pré-parto, aguardando me levarem para a sala de parto.

Quando precisei sair da cama onde eu estava para a maca, pra me levarem para a sala de parto, a dor aumentou. É muito desconfortável ter que se mexer quando as contrações já estão insuportáveis

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No elevador, me avisaram pra tirar brincos, cordão, aliança e sutiã, porque nada disso poderia entrar na sala de parto. Fui tirando e dando pro Marcelo, que jogou meus acessórios todos na minha bolsa. (só fui encontrar os brincos semanas depois. 😆 )

Chegando lá, eu entrei e o Marcelo foi vestir a roupa de acompanhante. Tive que passar novamente pelo desconforto de passar da maca para a cama. Bom, pelo menos eu estava mais perto da anestesia!

Minha obstetra me examinou, e eu ouvi o que mais queria naquele momento:

– Já está com dilatação total!

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A doutora pediu pro anestesista ser rápido, pra eu parar de sentir dor logo. Ufa! Ela sabia muito bem que eu PRECISAVA parar de sentir dor logo, pra poder sentir a emoção que aquele momento merecia.

– Vira de lado – me orientou o anestesista.

Nossa, como doía ficar naquela posição – que me confortava na hora de dormir, mas naquele momento estava me incomodando demais! Mas tudo que é ruim pode piorar, né?

– Agora dobra as pernas e leva os joelhos até a barriga.

HEEEEIIIIINNN???

HEEEEIIIIINNN???

Juro que eu tentei. Mas…

– Aaaaiii! Não dá! Dói muito!

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– Mas eu preciso que você fique nessa posição pra aplicar a anestesia…

Minha querida obstetra, demonstrando toda sua empatia, foi me ajudar. Levou delicadamente minhas pernas até a barriga e ficou segurando.

De repente, sinto algo gelado nas minhas costas.

– Aaaiiii!

– Doeu? Eu nem apliquei a injeção ainda…

– Tá gelado!

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Naquele momento, sabendo que a anestesia estava prestes a ser aplicada, foi inevitável me lembrar da anestesia que recebi antes do parto da Letícia. Doeu DEMAIS!

Mas eu já vinha me preparando pra esse momento. Respirei fundo e mentalizei bem forte que a aplicação ia ser tranquila.

Senti os dedos do anestesista “massageando” um local das minhas costas, procurando o ponto certo. E quando recebi a agulhada…

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Ufa, não doeu tanto!

Ele continuou mexendo nas minhas costas ainda. Acho que recebi mais uma ou duas agulhadas, mas não senti dor alguma.  😀

Logo logo veio o alívio total. Eu não estava mais sentindo as dores das contrações. Maravilha!

Senti uma leve dormência nas pernas. Eu estava deitada e elevaram minhas pernas, ficando apoiadas naquelas perneiras de exame ginecológico.

O Marcelo só conseguiu entrar na sala de parto depois que eu já tinha recebido a anestesia. Ele disse que colocou a roupa que deram pra ele lá fora, mas falaram que ele tinha que aguardar, sabe-se lá por quê.

Ele precisou perguntar umas 3 vezes se já podia entrar e, como recebeu resposta negativa todas as vezes, já tinham se passado mais de 10 minutos e a moça disse que a médica tinha que liberar, ele resolveu entrar assim mesmo.

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Até parece que a médica, que estava lá dentro se preparando pra fazer um parto, ia se preocupar em parar tudo pra ir lá fora dizer que ele já podia entrar, né?

O anestesista colocou uma sonda na minha mão, e a obstetra falou pra ele não colocar ocitocina. Ela tinha me falado que não queria arriscar induzir o parto com ocitocina porque eu já tinha feito uma cesárea antes – e havia o risco de o útero romper com a ocitocina artificial.

O anestesista respondeu que tinha colocado, mas que estava pingando bem devagarzinho. Não sei se ele manteve desse jeito ou se parou a ocitocina depois que ela falou.

Enquanto minha obstetra estava fazendo alguma coisa um pouco afastada de mim, o anestesista ficou do meu lado e me orientou a segurar com as mãos no cilindro de ferro das perneiras, pra ajudar quando eu precisasse fazer força.

Ele colocou a mão na minha barriga, pra sentir quando viesse a próxima contração.

– Vai, faz força agora!

Eu fiz força. O anestesista olhou pra obstetra, que não estava ainda na posição pra segurar a Priscila.

– Para, para de fazer força! Ela tá quase saindo!

O quê? Saindo já na primeira força que fiz? Uau! Que ótimo!

Todos riram e se descontraíram nesse momento – e eu me senti mais confiante ainda!

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Percebi que a obstetra estava se preparando pra fazer episiotomia em mim. Eu não tinha conversado com ela antes sobre isso, e na hora pedi pra ela não fazer, porque o local da episiotomia que foi feita no parto da Letícia ficou doendo bastante nos dias seguintes.

Ela falou que, se ocorresse laceração e pegasse a uretra, eu poderia ficar com incontinência urinária, além de dificultar as relações sexuais depois. Então, concordei e permiti que ela fizesse o corte.

Na contração seguinte, fiz força, e a médica chamou o Marcelo pra ver a cabecinha da Priscila já saindo. Fiz mais força, e ela saiu rapidamente! Que sensação gostosa! Foi como se eu estivesse ganhando uma maratona!

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A obstetra colocou a Priscila em cima de mim e eu logo a acariciei e falei “Bem-vinda, Priscila! Você é linda!”. E assim que olhei o rostinho dela, falei pro Marcelo que ela era a cara da Amanda! Parece que veio um flashback na minha mente!

Mesmo sendo a terceira vez, a emoção que eu senti foi indescritível, como se fosse a primeira vez. É um misto de muuuito amor, orgulho por ter conseguido ter o parto normal, vontade de proteger aquele bebezinho indefeso, felicidade por ter meu marido do meu lado o tempo todo… O sorriso não saía do meu rosto! 😀

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Enquanto o pediatra limpava e examinava a Priscila, minha obstetra falou que tinha lacerado um pouco meu períneo, na parte superior (próximo à uretra). Ela fez as suturas necessárias e, adiantando um pouco a história, a recuperação dessa área foi muuuuuito melhor dessa vez do que na vez da Letícia. Fiquei usando o spray Andolba e uma pomada que a obstetra receitou, e praticamente não senti dor nos dias seguintes ao parto.

Depois tiramos algumas fotos com a Priscila, e o Marcelo foi com ela e o pediatra para o berçário da maternidade.

Quando a obstetra acabou todos os procedimentos em mim, me colocaram em uma maca e fiquei do lado de fora da sala de parto, esperando alguém me levar pro quarto.

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas pareceu bastante. A parte boa foi que fiquei cochilando quase o tempo todo enquanto esperava. Como a Priscila nasceu depois de meia noite (00:31), eu estava mortinha de sono!

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Quando o maqueiro chegou pra me buscar, vi que o Marcelo tinha ficado em pé do lado de fora, esperando um tempão, coitado!

Fomos pro quarto e um tempinho depois levaram nossa pequenininha linda pros meus braços!

Ela começou a mamar logo e fiquei o resto da noite com ela em cima de mim, ora mamando, ora dormindo. Ô coisa boa de se viver!

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No dia seguinte (que, na verdade, era o mesmo dia, já que ela nasceu depois de meia-noite), quando pude levantar sozinha, tomar banho sozinha, conversar normalmente com todas as visitas que foram lá, tudo sem sentir dor, dei graças a Deus por ter escolhido o parto normal! Toda a dor que senti durante as contrações ficou pequena em comparação à ótima recuperação que tive nos dias seguintes!

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E assim termino o relato do parto da Priscila, com muita alegria e satisfação!  😆

P.S.: Enquanto eu estava grávida, me informei, li sites e participei de grupos a favor do parto natural (sem anestesia, sem episiotomia, sem induções e sem intervenções) e, mesmo assim, optei por ter o parto do jeitinho que relatei acima. Pra mim foi ótimo, assim como é ótimo pra quem opta pelo parto natural também.

Se você está grávida, informe-se de tudo que pode ou não pode ser feito no seu parto e faça sua escolha conscientemente. :)

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