Um desafio, uma perda e uma declaração de amor

Filhos  /   /  Por Mônica Japiassú

No sábado passado, o Marcelo precisou trabalhar. Então, peguei o caderno de planejamento da Família Quadrada, chamei a Amanda e a Letícia e pedi para cada uma dizer 2 ou 3 opções de atividades para fazermos juntas.

Planejamento de sábado

Depois de cada uma expor suas preferências, fechamos o planejamento com as atividades aí de cima, na parte inferior do papel.

Como a brincadeira com o Arte Agito demorou mais do que o previsto, logo depois preparei nossos pratos para almoçar e falei para a Letícia que tinha colocado bem pouquinho, pra ela comer rapidinho e podermos ir ao shopping para patinar no gelo logo. Porém, em vez de começar a comer, ela ficou brincando com o copo de água, passando o dedo em sua volta.

Falei para ela parar de brincar e começar a comer logo – em vão. Ela continuou mexendo no copo.

Tirei, então, o copo de perto dela. Ela começou a reclamar e esticar o braço, tentando pegar o copo de volta.

Falei que só daria o copo de volta depois que ela começasse a comer.

E o que ela fez? O quê? O quê?

Começou a morder a borda do prato!

Então, mostrei a regra “obedecer o papai e a mamãe” para ela (sim, ainda utilizamos as técnicas da Super Nanny com a Letícia) e falei que estava dando o primeiro aviso e, se ela continuasse a desobedecer, eu teria que colocá-la no cantinho da disciplina.

E vocês pensam que ela obedeceu? Nããããoooo! Continuou mordendo a borda do prato!

O desafio

Como última cartada, falei para a Letícia que eu ia contar até 3 para ela colocar a primeira colherada na boca e, se não colocasse, ela não iria mais ao shopping.

– Um…

Ela encheu a colher de comida.

– Dois…

Ela ficou com a colher parada em cima do prato.

– Três!

Ela encostou a pontinha da colher na boca, sem nem ter o trabalho de abri-la, e ficou me olhando.

A perda

Naquele momento, não  me restou outra opção a não ser cumprir o que falei antes de começar a contar até 3… Levantei, peguei a Letícia, coloquei no cantinho da disciplina e falei que ela não iria mais à patinação no gelo.

Voltei para o meu lugar e, vendo a Amanda com um rosto tristinho por ter perdido também sua diversão, falei para ela não se preocupar, que ela iria patinar no gelo sozinha comigo assim que o papai chegasse.

A Letícia saiu uma vez do cantinho, eu falei que só ia começar a contar o tempo quando ela sentasse de volta lá, e ela voltou. Sentou e ficou chorando, gritando que queria ir ao shopping repetidas vezes.

Após 4 minutos, tirei a Letícia do cantinho e conversei com ela, calmamente. Perguntei por que eu a tinha colocado lá, e ela elencou todas as bobagens que fez. Repeti que, por tudo aquilo, ela não iria mais ao shopping e nós ficaríamos em casa até o papai chegar – e então eu iria ao shopping sozinha com a Amanda.

Ela ainda chorou um pouco, mas depois sentou e comeu a comida toda.

Depois que ela terminou, eu estava deitada no sofá e ela veio conversar comigo:

– Mamãe, o que eu fiz não foi só uma bobagem não…
– É? Foi o quê, então?
– Foi um fracasso.

(Pausa para pensar “De onde ela tirou isso? Nós nunca falamos isso pra ela…”)

– É, realmente você fracassou quando me desobedeceu, mas eu sei que você é capaz de ser um sucesso! Na maior parte do tempo, você é uma criança obediente, que faz coisas boas e é um sucesso. Mas quando você desobedece, nós ficamos muito tristes…

Escorreu uma lágrima pelo rostinho dela, com um choro sentido de cortar o coração, mas eu tive que ser forte. Não podia voltar atrás na minha decisão, senão ia perder a moral.

Ela me surpreendeu, falando que não ia se divertir na patinação, mas podia se divertir em casa com o papai!

Quando o Marcelo chegou, saí com a Amanda, e a Letícia se despediu de nós numa boa, sem reclamar.

A declaração de amor

Na hora de dormir, quando a Letícia foi me dar “boa noite”, me deu um abraço e falou:

– Mamãe, eu ADORO ser sua filha! Eu te amo!

E eu fui dormir superfeliz, com a sensação de ter feito a coisa certa (e torcendo para que a lição tenha sido aprendida). 🙂

Gostou desta matéria? Leia estas também!

Nesse últimos 3 meses, a Priscila evoluiu bastante! 🙂 – Está falando várias...

E ontem nossa caçulinha completou 2 aninhos!E passou tanta coisa pela minha cabeça:– Os 2 anos da...

– Mamãe, posso conversar com você? – Só um instante. Deixa eu acabar de fazer isso aqui e já podemos...

5 comentários
 
  1. selene 19 de fevereiro de 2014 at 00:32 Responder

    Monica que post maravilhoso, Lindo. Eu assisti o programa da Ana Maria Braga e vi a psiquiatra falando sobre os castigos e fiquei pensando em como meus pais foram tão severo comigo, não de bater, mas de castigos, de ficar mês sem brincar com uma amiguinha, de passar horas sentada no sofá. Mas não tenho neura dos meus pais os amo. E eu comentando com meu esposo na hora do almoço ele me disse que meu pai estava cerceando meu direito de ir e vir. Aí abriu-se a discussão até que ponto o castigo demorado, demasiado não se configura uma restrição de ir e vir da criança. Mas é só uma discussão. Mas voltando ao assunto concordo com o Leonardo o jeito de você corrigir a Leticia foi lindo, bem resolvido sem marcas, sem traumas. valeu vocês são demais!!!!!!!!!!!! selene

  2. Leonardo Nunez de Miranda Reis 18 de fevereiro de 2014 at 11:01 Responder

    Achei tão lindo esse acontecimento. Penso igualzinho a você e espero conseguir fazer algo similar quando tiver meus filhos. Pois tenho certeza que educar (com respeito e carinho, como vocês fazem) é a maior prova de amor que os pais podem dar a seus filhos. A prova disso foi o que a Lelê disse antes de dormir para você. Crianças testam nossos limites e estes sempre existirão. Então é melhor que nós mostremos isso a eles do que a vida mostre de uma forma muito menos amorosa mais tarde. Quando vocês abrirem um curso de “como educar seus filhos”, pode reservar uma vaguinha para mim.

    • Mônica Japiassú 18 de fevereiro de 2014 at 14:52 Responder

      Adorei seu comentário, Léo! Obrigada pelo carinho! 🙂

  3. Lúcia Japiassú 18 de fevereiro de 2014 at 09:42 Responder

    Quando você me falou que não iríamos mais ao Shopping no horário que havíamos combinado (é, a vovó tb ia) porque a Lelê tinha feito um monte de bobagens e só a Amanda iria, mas em outro horário que eu não poderia ir junto, fiquei morrendo de pena da Lelê. Fiquei com o coração apertadinho, com peninha dela. Confesso que fiquei chateada com você, achando que você estava exagerando no castigo. Depois que você me contou que ela entendeu que fez bobagem e aceitou direitinho ficar em casa com o Mercelo e ainda fez essa declaração linda quando foi dormir, fiquei mais tranquila. E, ontem, no programa Mais Você, por grande coincidência, foi tratado o assunto de castigos em crianças. Foi lá uma Psiquiatra e falou sobre as maneiras de e ducar as crianças, e, o que vocês fazem é EXATAMENTE A COISA CERTA! O problema maior em não aceitar o que você fez é que sou AVÓ. E avós são mães com açúcar, que derretem à toa, né?

    • Mônica Japiassú 18 de fevereiro de 2014 at 14:51 Responder

      Hehehehe! Pois é, mãe, é compreensível avós ficarem com peninha dos netos nesses momentos. Possivelmente eu também sentirei isso quando for avó! 🙂

Deixe uma resposta