Você acha que eu deveria ter um bebê?

Filhos  /   /  Por Mônica Japiassú

Recebi este texto lindíssimo, e infelizmente a autoria é desconhecida (pesquisei no Google, pra ver se descobria quem o escreveu, mas só encontrei blogs que continham o texto, mas sem o nome da autora).

Se alguém souber quem foi que teve essa enorme inspiração, por favor me diga, pra eu colocar os devidos créditos. A pessoa conseguiu descrever EXATAMENTE o que uma mãe sente pelos seus filhos!

Quem já é mãe certamente me dará razão. E quem ainda não é, leia e saberá o que te espera! 🙂

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Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em ‘começar uma família’.

‘Nós estamos fazendo uma pesquisa’, ela diz, meio de brincadeira. ‘Você acha que eu deveria ter um bebê?’
‘Vai mudar a sua vida,’ eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.
‘Eu sei,’ ela diz, ‘nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .’

Mas não foi nada disso que eu quis dizer.

Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela.
Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos.
Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar ‘E se tivesse sido o MEU filho?’
Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer. Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzi-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de ‘Mãe!’ fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald’s se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida — não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

‘Você jamais se arrependerá’, digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados.
Este presente abençoado de Deus… que é ser Mãe.’

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10 comentários
 
  1. Priscilla Witt 22 de abril de 2013 at 13:25 Responder

    Lindo texto..

  2. Lúcia Japiassú 8 de março de 2013 at 16:03 Responder

    Nossa! ESPETACULAR!!!! lindo, lindo, lindo! A autoria desse texto poderia ter sido de qualquer mãe que ama sua filha tanto quanto eu te amo e você ama suas filhas. Beijos no coração

  3. Rodrigo 15 de setembro de 2008 at 19:02 Responder

    Parabens, lindo site, e mais linda ainda a familia, Muita saude, e amor pra todos voces.

  4. Carmen 18 de agosto de 2008 at 15:30 Responder

    Monica
    belíssimoseu texto ! vc soube retirar as emoções do coração. sou mãe de 3 e avó de 4. aplaudo você de pé !

  5. José (pai da Mônica) 27 de julho de 2008 at 20:23 Responder

    No Google aparecem 370 ocorrências para “We are sitting at lunch when my daughter casually mentions”. Olhei alguns sites, mas nenhum deles diz quem é o autor.

  6. Rosana Lucia Bianchi 27 de julho de 2008 at 15:38 Responder

    muito legal!!! é tudo isso e muito + !!!

  7. Lúcia Japiassú 21 de julho de 2008 at 20:59 Responder

    Como você não sabe quem escreveu o texto? FUI EU! :)))

    Brincadeiras à parte,lindíssimo o texto! Me emocionou!

    beijinhos

  8. Mônica Japiassú 21 de julho de 2008 at 13:54 Responder

    Celinho, sem dúvida os pais também sentem essas angústias todas descritas no texto (às vezes vc sente até mais do que eu, né? Heheheh!).

    Não acho que a autora quis dizer que esses sentimentos são exclusivos das mães, mas somente escreveu a experiência que ela tem como mãe, sem desmerecer os pais. 🙂

    SMACKS!!!

  9. Carlos Marcelo 21 de julho de 2008 at 11:48 Responder

    O texto é completo, lembra muitos detalhes que o universo sem filhos não nos faz imaginar.
    Discordo, mais uma vez, qdo se fala que todas estas aflições é de ser mãe! Sem tirar o crédito por fabricar o filho e o leite, todas as outras preocupações tb existem.

  10. Carlos Marcelo 21 de julho de 2008 at 11:32 Responder

    Discordo da ferida emocional. Fiquei frustrado com este tipo de comparação!

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